quinta-feira, 28 de maio de 2009

Como definí-la quando está desnuda
se ela é viagem
como toda nuvem?

Como desnudá-la quando está vestida
se está mais despida do que quando nua?

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posso caminhar com o pensamento,
eternamente dolorido, mas só um pouco.
caminhos traçados pelas vibrações,
trinta mil sonhos de seda, na minha cama de ouro.
uma piada, não por muito tempo,
respire fundo, a persistência precisa acertar.
e dizem "pare, vá devagar",
mas eu só posso andar pra lá.
levanto com sapatos de pedra,
faço o que preciso fazer.
estradas tensas de limitações de prazer.
eu faço certo ou somente erro o palpite.
palpitações,
viver.
encontre um lugar do meu lado,
um ponto ao lado dos que sentem o gosto.
agora,
tenho você.
quebre-me um pedaço pra levar para casa,
chupo seus beijos e arranco sua alma.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Stars

Ora (direis) ouvir estrelas!
Certo, perdeste o senso!
E eu vos direi, no entanto
Que, para ouví-las,
muitas vezes desperto
E abro as janelas, pálida de espanto

E conversamos toda a noite,
enquanto a Via-Láctea, como um pálio aberto,
Cintila.
E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: "Tresloucada amiga!
Que conversas com elas?
Que sentido tem o que dizem,
quando estão contigo? "

E eu vos direi:
"Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e e de entender estrelas"

sexta-feira, 20 de março de 2009

Provocação

Provoca meus instintos
mais secretos.
À luz do teu olhar,
me perco.
Vejo-me nua em meus pensamentos,
despida de qualquer pudor.
Sinto-me perdida em desejos íntimos.
Encontro-me em arcos
poderosos, que se fecham e me seguram,
e me abraçam.
Estremeço com seu toque
suave.
Grande volúpia!
Perfume embriagador me seduz.
Não resisto:
Eu me entrego e você
me conduz...ao paraíso...

quinta-feira, 19 de março de 2009

Sonho dos Anjos

Enquanto dormimos somos irreais,
Sonhamos com anjos tão enaltecidos
E nossos pesares ficam esquecidos...
Nos sonhos, aos anjos, nós somos iguais.

Sem saber que a nossa vida é nada mais
Do que doces sonhos, um tanto compridos
De anjos solitários já adormecidos,
Sonhando que existe a vida dos mortais.

E vivemos tristes sem saber jamais
Que as mortes são sonhos já interrompidos,
De anjos que acordaram com alguns ruídos
Nas belas manhãs celestes, divinais.

Ó, anjos cruéis, porque vós acordais?
Para dar um fim a humanos tão sofridos?
Sei que vossos sonhos são por nós vividos,
Vosso despertar nos é triste demais!

segunda-feira, 2 de março de 2009

Heimweh

Saudade do lar — assim definiu Novalis a Filosofia. Um impulso por se fazer por toda parte em casa — explicou em seguida. É isso: a filosofia exige um quê de estrangeiridade. De Aristóteles a Adorno, passando por Descartes, Spinoza, Hegel e tantos muitos outros, estamos é repleto de histórias de filósofos constrangidos pelos sotaques carregados de suas terras natais, ou obrigados a reencontrar a vida em uma nova cultura. A estrangeiridade da Filosofia não é apenas uma metáfora poderosa, é também um dado histórico, afinal.
Fazer-se em casa por toda parte, primitivo impulso de colonização, tornar o outro parte do mesmo, em uma idéia: dom(us)-esticar. Por essa razão Odisseu é o padroeiro de todos os filósofos, o mais eloqüente ícone disso que é ou foi a Filosofia. O impulso de ir além sendo norteado pela saudade da pátria. Um dia o viajante chega em casa, retorna à mesmidade, mas ele próprio já não é mais totalmente o mesmo, pois se alterou junto à alteridade que domesticou. Seu regresso torna a casa mais rica, repleta de experiências outras que coletou, que iluminam e alteram a mesmidade.
Em contexto totalmente diverso, Goethe disse substancialmente a mesma verdade: aquele que não conhece línguas estrangeiras, não conhece nem mesmo a própria língua. É isso: a estrangeiridade é a mediação necessária, o espelho negativo no qual Calvino disse que o viajante reconhecia o pouco que era seu descobrindo o muito que não tivera e que não teria.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Da delicadeza

Talvez a brutalidade do século XX seja o fator responsável pela suprema delicadeza de nosso tempo. Tal brutalidade é hoje incompreensível. A palavra evoca uma vaga e rarefeita idéia que, embora não mais comunique efetivamente uma experiência, ainda cumpre bem o seu papel nos discursos de lamúria e de escândalo. Se antes de sua exaustiva repetição tal idéia foi de fato compreensível um dia, ou se pelo menos sua palavra se prestava a indicar a positividade de uma ocorrência nefasta, esse decerto não é mais o caso para as gerações contemporâneas, que não mais são capazes de extrair dela qualquer sentido, pois o mundo se tornou delicadíssimo, a despeito ou por causa de sua história recente e tão supostamente brutal.
Delicadeza que se expressa na afetada reivindicação por respeito e na virtualmente ilimitada capacidade de compreensão de uma suposta alteridade. O mundo se tornou de fato tão delicado que desapareceram como num piscar de olhos os diversos códigos de delicadeza que as gerações mais antigas cultivaram a um preço e esforço que mal conseguiríamos conceber. Hoje é delicado ser informal. Se tudo mergulhou na aura da informalidade — da linguagem aos sentimentos, passando pelos gestos e gostos, vestuário e compromissos — não é exatamente por termos nos embrutecido, mas por termos nos tornado delicados de fato, num sentido que causaria náuseas a homens que iam de cartola ao teatro e mulheres que usavam espartilho. Pois então a delicadeza era um modo possível de comportamento, e não uma propriedade das pessoas. O sentido de códigos de delicadeza era a explicitação não de uma natureza simples e obviamente delicada, mas da cultivada capacidade de agir delicadamente. Somente nesse sentido a delicadeza poderia aparecer como algo gracioso, pois tornada essencial dificilmente se pode diferenciá-la da mera frouxidão.
Não precisamos mais agir delicadamente porque nos tornamos delicados de fato. É como se os lábios não mais precisassem sorrir graciosamente porque todo o resto já sorri estupidificado. Com mais um pouquinho de dedicação a humanidade realizará em breve o supremo ato de delicadeza, e dará uma generosa gorjeta aos seus carrascos.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Quem sabe um dia vamos
Correr o mundo sem pressa e contemplar tanta beleza juntos
Parece estranho o tempo que as vezes n passa
Somos ciganos do amor
Amor cigano
Sigamos então
O céu é nosso teto
O seu amor, o nosso pão
Rios e mares vão
Se transformar em nosso chão
Somos ciganos do amor
Amor que não tem país, nem tem religião
Amor cigano,
Sigamos então
Vamos deixar correr
Seguir o rumo
Da nossa sorte
Para não se perder
Deixar viver
Será seu norte